16 de agosto de 2015

Big man !.



- Este texto não acompanha música, em modo de respeito á sua memória.   

  Nunca soube o que era amor direito na infância, nada em minha existência era tão bonito assim. Não sabia o significado de tranquilidade, segurança, liberdade para ser quem eu era.
   Em todo o tempo, me deparei com pessoas que não me acrescentavam e só tiravam o que eu tinha de mim, medo, insatisfação, prisão, no meio de tantas pessoas insanas. Mas nas férias, ha minhas férias... Era quando iria para casa do meu avô querido, Francisco, mas batizado por mim de Vovô Fiquico, por não saber pronunciar direito seu nome quando criança e assim ficou.
   Era um dos momentos mais agradáveis de minha miserável vida, chegávamos e era aquela reunião de todas os seus filhos e netos. Ele nos recebia tão maravilhosamente bem, com seu jeito meio tímido, mas com um amor que transbordava de seus olhos ao nos ver, era impossível não reparar. 
   Sem medo, insatisfação, tristeza ou prisão. Era como estar em uma enorme montanha russa de emoções boas e cativantes, era como estar no céu sem estar nas alturas, como viver com um anjo cheio de luz, pureza e o mais sincero amor. 
   As férias passavam rápido, entre brincar de casinha, de carro em baixo da sua máquina antiga de costura, trocar tatuagens que vinham em salgadinhos, coisas que só eram possíveis nessas curtas férias, com meus primos, Nayara, Thiago, João (Joãozinho), Diêgo Sem falar no meu tio querido, Adriano que era chamado por mim como Tio Dida, aquele velho problema de pronuncia. Lavávamos a área e o quarto dele com o próprio shampoo do cara, Seda para cabelos pretos, ele chegava do trabalho e enquanto alguns tinham medo de que ele brigasse, eu o pedia para cheirar o chão em que aviamos limpado para ele, com toda empolgação e só por fim, revelava que fora com seu shampoo.     Ele ria, achava aquilo engraçado e nós ficávamos livres de bronca.
   Impossível não lembrar do grande número de copos de leite com nescau que eu deixava na geladeira por não tomar todo. As férias acabavam, todos de volta para a vida normal, meu avô sempre via correndo para o carro me entregar um presente envolvido em papel de jornal, eu abrira e era sempre uma pequena joia. Me presenteava escondido, para que os outros não se sentissem magoados.    Ele conhecia minha alma com ninguém, reparava a grande nuvem de tristeza que havia sempre por cima de mim, sabia, que aquilo não era natural, que eu sofria muito.
   Hoje completa oito anos que esse anjo foi ocupar seu devido lugar, aos Céus, isso me entristece bastante, mas o amo e não posso ser egoísta em pensar que ele estaria melhor neste mundo de tanta dor e sofrimento, Deus deve saber o que faz, e se ele foi, é por que merecia um lugar melhor.
   Escrevi esse texto para esse grande homem, que é uma das poucas pessoas que considero merecer tudo o que há de melhor em mim. Fica bem, fica em paz, espero te encontrar não em breve, mas no dia determinado, passar toda  eternidade á teu lado. Meu anjo. 
Homenagem ao grande homem da minha vida! Meu avô Francisco.


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